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Listas de boicote expõem empresas e profissionais após eleição

Empresários relatam ameaças e receio de prejuízos, enquanto o MPT acompanha casos de assédio eleitoral.

Paralax Brasil · · Edição do dia

Listas que incentivam o boicote a empresários, profissionais liberais e artistas associados ao apoio ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva passaram a circular após o segundo turno de domingo, 25. Segundo a Folha de S.Paulo, as mensagens foram identificadas em capitais e cidades do interior de São Paulo e Minas Gerais. De acordo com o g1, publicações semelhantes também circulam em Alagoas.

Empresários ouvidos pela Folha de S.Paulo relataram ameaças, mensagens hostis e receio de perder clientes. Alguns afirmaram ter sido incluídos nas listas mesmo sem declarar publicamente o voto. Em determinados casos, porém, a exposição também provocou manifestações de apoio e contatos de novos clientes.

À Folha de S.Paulo, o dono da livraria Martins Fontes, Alexandre Martins Fontes, disse que continuará declarando apoio a candidatos. A empresa manifestou voto em Lula em 2022 e em 2026. O empresário afirmou que respeita a escolha política dos clientes e considera seu próprio posicionamento uma expressão de liberdade. Ele também disse que a livraria vende obras de diferentes correntes ideológicas.

A empresária Paula Ramos, de Ourinhos, afirmou à Folha de S.Paulo que foi incluída em uma lista apesar de não ter divulgado sua preferência eleitoral. Segundo ela, a repercussão gerou mensagens de apoio e contatos de novas clientes. Em Serrana, Francisco Meghelli relatou ameaças e disse que pretende registrar boletim de ocorrência e buscar indenização. Ele ainda não havia identificado prejuízo financeiro concreto em sua imobiliária.

Em Alagoas, o Ministério Público do Trabalho acompanha os casos, segundo o g1. O órgão informou que perseguições motivadas por orientação político-partidária podem configurar assédio eleitoral, crime eleitoral e ilícito trabalhista. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no estado disse ao portal que estava apurando quantas empresas e quantos profissionais foram incluídos nas listas.

Em Mato Grosso do Sul, as denúncias de assédio eleitoral subiram de 11 até o primeiro turno para 35 até 26 de outubro, de acordo com dados do Ministério Público do Trabalho divulgados pelo g1. A procuradora-chefe Cândice Arosio afirmou que o aumento pode estar ligado à maior conscientização sobre as condutas e os canais de denúncia. Segundo o órgão, o assédio pode incluir ameaças de demissão, pressão sobre o voto, exigência de apoio político, recusa de contratação e represálias após o resultado.

Os ângulos

Empresários incluídos nas listas

Segundo a Folha de S.Paulo e o g1, empresários defendem o direito de escolha política, relatam ameaças e temem que os boicotes prejudiquem seus negócios, embora alguns também tenham recebido manifestações de apoio.

Ministério Público do Trabalho

De acordo com o g1, o órgão afirma que a perseguição político-partidária pode configurar assédio eleitoral, crime eleitoral e ilícito trabalhista, e orienta as vítimas a denunciar os casos.

O que muda para você

Segundo o g1, vítimas podem procurar o Ministério Público Eleitoral ou denunciar o assédio trabalhista ao Ministério Público do Trabalho, inclusive de forma anônima. Trabalhadores dispensados por motivação política podem buscar indenização e outras reparações previstas na legislação.

Fontes

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