ESPORTE
Diego Souza, técnico do Joinville, é suspenso por 360 dias por licença falsa
Por unanimidade, a 1ª Comissão Disciplinar do TJD-SC também aplicou multa de R$ 20 mil; o treinador diz ter sido vítima de golpe e cabe recurso.
Paralax Brasil · · Edição do dia
A 1ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol de Santa Catarina (TJD-SC) suspendeu Diego Souza, técnico do Joinville, por 360 dias, pelo uso de uma licença falsa de treinador. A decisão foi tomada na terça-feira, 3 de novembro de 2026, por unanimidade, com três votos favoráveis. Além da suspensão, há multa de R$ 20 mil, a ser paga em 15 dias, segundo o Poder360.
O ex-jogador assumiu o Joinville em agosto, em sua primeira experiência como técnico. De acordo com o Poder360, ele defendeu a Seleção Brasileira e clubes como Grêmio, Palmeiras, Vasco e Sport. Segundo a Folha de S.Paulo, o caso é um desdobramento da investigação sobre a comercialização de licenças falsas de treinadores envolvendo o ex-jogador argentino Alejandro Mancuso.
A acusação se baseou no artigo 234, parágrafo 1º, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que pune quem usa documento falsificado sabendo de sua falsidade, conforme o Poder360. Por isso, a alegação de Diego de que desconhecia a irregularidade é o ponto central da defesa. O caso tramita sob o número 427/2026.
Segundo a denúncia, a Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA) informou não ter registro acadêmico de Diego no curso indicado no diploma, datado de dezembro de 2023. A entidade também apontou incompatibilidade entre a data de emissão e a assinatura do secretário-geral. A Conmebol, a Confederação Sul-Americana de Futebol, afirmou não ter localizado licença em nome do brasileiro. A Folha de S.Paulo acrescenta que a Procuradoria do TJD-SC sustenta que Diego apresentou pessoalmente a documentação ao Joinville, que a usou para pedir seu registro profissional.
Diego afirma que recebeu a proposta de Mancuso em 2023, quando ainda era jogador, e que o argentino prometeu emissão rápida, sem o processo habitual de formação. Ele reconheceu que não participou de aulas para obter o certificado. Nos áudios apresentados no processo, segundo o Poder360, Mancuso orienta Diego a enviar documentos pessoais e diz que as licenças urgentes seriam destinadas a profissionais reconhecidos. Em outra mensagem, informa que a licença já estava pronta.
Segundo o Poder360, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cancelou a inscrição de Diego como treinador em 8 de outubro, depois de questionamentos sobre a autenticidade da licença. A suspensão preventiva foi comunicada ao clube em 23 de outubro e o impedia de acessar estádios. Esse período já cumprido será considerado na execução da punição. A Folha de S.Paulo informa que essa medida preventiva foi de 30 dias.
O auxiliar Raphael Bahia comanda a equipe à beira do campo. Procurado pela Folha de S.Paulo, o Joinville informou, por meio de sua assessoria, que Diego continuará no dia a dia do clube. A decisão pode ser contestada no Pleno do TJD-SC e, segundo a Folha, o caso ainda pode chegar ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Os ângulos
Segundo a Folha de S.Paulo, sustenta que os elementos reunidos indicam possível falsidade documental e destaca que Diego apresentou pessoalmente a documentação ao Joinville, que a usou para pedir seu registro profissional.
Afirma ter sido vítima de golpe e diz que acreditava na autenticidade da documentação obtida por intermédio de Alejandro Mancuso. Segundo o Poder360, disse ter enviado e-mail à CBF logo que suspeitou do golpe e afirmou sentir-se envergonhado. Vai recorrer.
O que muda para você
Diego Souza fica suspenso por 360 dias, com desconto do período de suspensão preventiva já cumprido, e deve pagar R$ 20 mil em 15 dias, mas a decisão ainda pode ser contestada no Pleno do TJD-SC. Enquanto o caso tramita, o auxiliar Raphael Bahia segue no comando da equipe e, segundo o Joinville, Diego continua no dia a dia do clube.