ECONOMIA
Risco de recessão em 2027 cresce, e projeções de inflação sobem para perto de 6%
Itaú cortou a estimativa de PIB de 2027 para 0,5%, enquanto o BTG projeta IPCA de 5,9% e o Copom manteve a Selic em 13,75%.
Paralax Brasil · · Edição do dia
A economia brasileira pode entrar em recessão em 2027, segundo a Folha de S.Paulo. O jornal aponta o endurecimento das condições financeiras e o enfraquecimento dos setores que sustentaram a atividade recente. Projeções do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), de consultorias e de bancos indicam expansão do PIB (Produto Interno Bruto) em torno de 1% em 2027, sem descartar contração.
De acordo com a Folha, um exercício preliminar do Ibre-FGV mostra que, se juros e dólar seguirem em alta, as atividades cíclicas (comércio, indústria de transformação e serviços) recuariam 0,5% em 2027. Mesmo com crescimento de 1% nos setores exógenos (agropecuária e indústria extrativa), o PIB ficaria estagnado. Nos anos de 2023 a 2025, esses dois setores responderam por cerca de um terço do incremento do valor adicionado da economia, e a expectativa para 2027 é de contribuição bem menor.
A Folha informa que o Itaú rebaixou a estimativa de crescimento do PIB de 2027 de 1,2% para 0,5%. A Fecomercio-SP fala em recessão, citando o esgotamento do modelo de crescimento baseado no endividamento, e o Safra afirma que o mercado vê risco maior de recessão. Segundo a Serasa, citada pelo jornal, o país chegou a 84,2 milhões de inadimplentes em setembro, o maior número da série, o equivalente a 51,1% da população adulta.
Em coluna publicada pela Folha, o autor, que se identifica como colega de Tiago Berriel no BTG, diz que a equipe de Berriel projeta IPCA (índice oficial de inflação) de 5,9% em 2027 e que outras casas têm números parecidos. O colunista cita o Copom (Comitê de Política Monetária), que na quarta-feira (4) manteve a Selic em 13,75%. Afirma que o Banco Central enfrentará uma escolha difícil, entre elevar os juros para perseguir a meta de inflação e não elevar, diante de uma atividade próxima de zero. Ele levanta a possibilidade de o banco aceitar um lento processo de reinflação. O PMI de serviços, índice que abaixo de 50 sinaliza contração, caiu de 49,2 em setembro para 44,5 em outubro, segundo a coluna.
O debate sobre a saída é atribuído a diferentes economistas. Silvia Matos, do Ibre-FGV, diz à Folha que um ajuste fiscal crível poderia reduzir os juros e evitar a recessão. Sem isso, segundo ela, ganha força o risco de uma crise de crédito. Já Tiago Cavalcanti, professor em Cambridge e na FGV, defendeu em entrevista à BBC News Brasil, publicada pelo g1, um ajuste fiscal gradual, com anúncio rápido de medidas e de uma nova equipe econômica comprometida com o equilíbrio das contas.
Cavalcanti criticou a proposta de André Lara Resende de levar a Selic a 7,5% ao ano em 12 meses, com a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. Segundo o g1, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou a proposta. Lara Resende rebateu a comparação com a Turquia e chamou-a de voluntarismo político absurdo.
Os ângulos
Segundo a Folha, haveria um período difícil de qualquer forma, mas um ajuste fiscal crível reduziria os juros e evitaria recessão. Sem sinalização ou medidas efetivas, aumenta o risco de crise de crédito.
De acordo com a Folha, o Itaú cortou a estimativa de PIB de 2027 para 0,5%, a Fecomercio-SP fala em recessão e o Safra vê risco maior de contração.
Defende, em entrevista à BBC News Brasil, ajuste fiscal gradual e anúncio rápido de medidas críveis. Também propõe que o salário mínimo seja reajustado só pela inflação enquanto as contas não estiverem equilibradas.
Segundo o g1, propõe um Conselho Fiscal e Monetário Nacional e uma queda rápida da Selic para 7,5% em 12 meses. Rejeita a comparação com a Turquia.
De acordo com o g1, descartou a proposta de Lara Resende e negou que o presidente fosse recebê-lo para uma reunião.
O que muda para você
O material indica juros altos, endividamento recorde das famílias e atividade perto de zero em 2027. Segundo a Serasa, citada pela Folha, cada inadimplente deve em média R$ 7.094, diante de uma renda mensal média de R$ 3.790. O material não detalha efeitos diretos sobre preços ou empregos para o leitor.