POLÍTICA
Flávio Bolsonaro deixa o país rumo aos EUA, dizem aliados; PL diz desconhecer paradeiro
Senador derrotado no segundo turno não entregou os passaportes à Polícia Federal no prazo determinado por Alexandre de Moraes, e uma autoridade da Casa Branca disse à Folha que os EUA vão conceder vistos a ele e à família.
Paralax Brasil · · Edição do dia
O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno da eleição presidencial no domingo (25), deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, segundo aliados. Nesta terça-feira (27), o coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou em entrevista na sede do PL, em Brasília, que a cúpula do partido desconhece o paradeiro do ex-candidato, de acordo com o Poder360 e a Folha de S.Paulo.
As informações sobre o destino de Flávio divergem quanto à confirmação. Segundo o Poder360, o jornal argentino Infobae informou que o senador teria cruzado a fronteira e seguido para os Estados Unidos, mas não há confirmação oficial sobre sua localização. A Folha de S.Paulo relata que aliados dizem que ele foi aos EUA em busca de asilo. Uma autoridade da Casa Branca confirmou à Folha que o governo Donald Trump está ciente da viagem e vai conceder vistos ao senador e à família dele, com autorização para que permaneçam no país.
Marinho disse ter recebido uma única mensagem de Flávio, por volta das 8h desta terça-feira, em que o senador afirmava que iria “dar um tempo” e depois conversaria com os aliados. Na segunda-feira (26), segundo o Poder360, Marinho esteve com Flávio até por volta das 16h, em reunião que também teve a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do senador eleito Guilherme Derrite (PL-SP). Na conversa, foi discutida a necessidade de Flávio assumir a liderança da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo.
A suspeita de saída do país ganhou força depois de Flávio descumprir o prazo para entregar os passaportes comum e diplomático à Polícia Federal (PF), conforme decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que também o proibiu de deixar o território brasileiro, segundo o Poder360. De acordo com a Folha, na segunda-feira Flávio gravou um vídeo em que reclamou da ordem de Moraes, mas afirmou que ficaria no Brasil e lideraria a oposição. No mesmo vídeo, indicou desistir de pedir a anulação da eleição, o que havia anunciado após a derrota.
Segundo a Folha, Flávio é alvo de dois processos criminais no STF. Um envolve o advogado Willer Tomaz, acusado de lavagem de dinheiro relacionada a negócios com apostas on-line, as chamadas bets. O outro é uma investigação sobre o caso Dark Horse, que envolve pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. O Poder360 menciona que o senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro no caso que envolve Willer Tomaz.
O presidente Lula chamou a saída de Flávio de “vergonhosa” durante a celebração de seus 81 anos, em frente ao Palácio da Alvorada, segundo a Folha. “Quem não deve, não teme. E ele teme alguma coisa”, afirmou. A aliados, porém, Lula manifestou preocupação com a decisão de Moraes de reter o passaporte, por avaliar que a medida pode alimentar o discurso de perseguição política, de acordo com o jornal. Flávio recebeu 59.826.041 votos no segundo turno, segundo a Folha, e Lula venceu com mais de 4 milhões de votos de diferença.
Em texto de análise, a Folha avalia que a saída cria uma situação delicada para os aliados de Flávio e também para Lula. Segundo a análise, a decisão de Moraes um dia depois da eleição deu força ao discurso de perseguição. O texto também afirma que Tarcísio de Freitas divulgou um vídeo, sem citar Flávio, em que diz reconhecer a eleição, aponta problemas no pleito e pede que o jogo siga.
Os ângulos
Diz que o PL não foi informado da viagem, mas que compreende a decisão caso Flávio tenha saído do país com a família, segundo o Poder360 e a Folha. Ressaltou que compreender não significa concordar. Critica a medida judicial: afirma que a PF pediu a retenção dos passaportes 7 minutos depois da proclamação do resultado e vê nisso “uma preparação para uma coisa mais persecutória”, segundo o Poder360.
Chamou a saída de “vergonhosa” e disse que Flávio deveria ter entregado o passaporte e ficado no Brasil para provar que as acusações não são verdadeiras. A aliados, segundo a Folha, demonstrou preocupação com a decisão de Moraes, por considerar que ela pode alimentar o discurso de perseguição política.
Na segunda-feira (26), em vídeo, reclamou da ordem de Moraes para entregar os passaportes, mas afirmou que ficaria no Brasil e lideraria a oposição, segundo a Folha. Na mensagem a Marinho nesta terça, disse que iria “dar um tempo”.
Uma autoridade da Casa Branca disse à Folha que o governo está ciente da ida de Flávio aos EUA e vai conceder vistos a ele e à família. Segundo o New York Times, citado pelo Poder360, o Departamento de Estado planeja emitir os vistos.
Em vídeo citado pela análise da Folha, sem mencionar Flávio, disse reconhecer o resultado da eleição, apontou problemas no pleito e pediu que o jogo siga.
Fontes
- Poder360: PL desconhece paradeiro de Flávio; Marinho diz compreender possível saída
- Folha de S.Paulo: Lula comemora 81 anos e diz que fuga de Flávio é vergonhosa, mas reprova decisão de Moraes
- Folha de S.Paulo: Fuga de Flávio é problema para a direita e para Lula
- Folha de S.Paulo: Coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro diz desconhecer paradeiro do senador