INTERNACIONAL
Negociadores iranianos chegam a Doha enquanto Irã acusa EUA de atacar barcos em Ormuz
Catar apresentou proposta com cronograma de sete dias, mas alto funcionário iraniano diz que Doha ofereceu apenas "ideias inaceitáveis", segundo a CNN Brasil.
Paralax Brasil · · Edição do dia
Negociadores iranianos estão em Doha, no Catar, para conversas com mediadores catarianos, segundo uma autoridade a par das negociações ouvida pela agência Reuters e citada pela CNN Brasil. A chegada ocorre após mais de 12 horas de discussões em Teerã na sexta-feira, 30. A equipe do Catar tem mantido contato frequente com negociadores dos Estados Unidos, segundo a mesma autoridade.
De acordo com essa fonte, que não é iraniana, uma nova minuta de acordo foi apresentada no domingo, 25, e prevê um cronograma de sete dias com medidas diárias de construção de confiança para os dois lados, que poderia começar no início da próxima semana, com diversos países como fiadores. Um alto funcionário iraniano, porém, afirmou que o Catar apresentou apenas "ideias inaceitáveis, e não uma proposta" e que Teerã segue sem flexibilidade na questão nuclear. O Catar e o Paquistão lideram a mediação do conflito, que já dura oito meses.
Neste sábado, 31, a emissora estatal iraniana IRIB, citando uma autoridade da província de Hormozgan, informou que os Estados Unidos atacaram dois barcos de pesca perto da ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz. Segundo a mídia iraniana, um pescador ficou ferido. Não houve confirmação imediata dos Estados Unidos, e a Casa Branca e o Pentágono não responderam prontamente a pedidos de comentário, segundo a CNN Brasil.
No mesmo dia, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, ordenou que as Forças Armadas respondam imediatamente e sem "limites geográficos" a qualquer ameaça inimiga, em comunicado publicado no Telegram. Ele também ordenou a atualização da lista de alvos militares para incluir ativos "físicos e não físicos" dos Estados Unidos e de Israel. Uma autoridade de segurança iraniana disse à CNN, sob anonimato, que a infraestrutura de inteligência artificial na região está entre os possíveis alvos de retaliação. Fontes afirmaram à CNN que as forças americanas no Oriente Médio estão preparadas para lançar novas operações contra o Irã em até 96 horas após uma ordem de Donald Trump.
As partes divergem sobre a ordem das negociações, segundo a CNN Brasil. Washington quer que o programa nuclear iraniano seja incluído desde o início. O Irã sustenta que suas condições, entre elas o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e a suspensão das sanções às exportações de petróleo, precisam ser atendidas primeiro, e rejeita a avaliação ocidental de que seu programa nuclear tenha natureza militar. Um acordo provisório alcançado em junho não garantiu cessar-fogo duradouro nem normalizou a navegação em Ormuz.
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou na quarta-feira, 28, que Teerã mantém contato próximo com intermediários sobre um plano iraniano de sete dias para encerrar a guerra, pelo qual o Estreito de Ormuz poderia ser reaberto se determinadas condições fossem atendidas. Segundo a CNN Brasil, Trump rejeitou a proposta, o que levou a novos esforços de mediação do Catar. O chanceler do Egito, Badr Abdelatty, disse neste sábado, no Diálogo de Manama, no Bahrein, estar "extremamente preocupado" com uma nova escalada: "Uma segunda rodada seria mais perigosa, mais destrutiva e não levaria a lugar nenhum".
Os ângulos
Exige o fim do bloqueio aos portos e das sanções ao petróleo antes de discutir outros pontos, não demonstra flexibilidade na questão nuclear e classifica as ideias do Catar como inaceitáveis; acusa os EUA de atacar barcos de pesca.
Quer que o programa nuclear iraniano seja incluído desde o início das negociações; Trump rejeitou o plano iraniano de sete dias. Não confirmou de imediato o ataque relatado pelo Irã.
Apresentou minuta com cronograma de sete dias e medidas diárias de confiança para ambos os lados, com países fiadores, segundo autoridade a par das negociações.
Teme que uma nova rodada do conflito seja mais destrutiva e defende aprender com o passado.
O que muda para você
Segundo a CNN Brasil, a guerra tem prejudicado o transporte marítimo global e o fornecimento de petróleo, e a navegação pelo Estreito de Ormuz segue interrompida.
Fontes
- CNN Brasil: Negociadores iranianos chegam a Doha para conversas de paz na guerra do Irã
- CNN Brasil: Autoridade iraniana afirma que os EUA atacaram barcos de pesca em Ormuz
- CNN Brasil: Líder supremo do Irã ordena resposta militar a qualquer ameaça inimiga
- CNN Brasil: Egito teme que escalada na guerra do Irã seja mais destrutiva, diz ministro