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MEIO AMBIENTE

Seca e incêndios matam abelhas e reduzem produção de mel em Roraima

Apicultor de Boa Vista relata queda de 80% na produção, de cinco toneladas para uma, enquanto o estado registrou cerca de 360 focos de calor em outubro.

Paralax Brasil · · Edição do dia

A seca e os incêndios em Roraima têm matado abelhas e reduzido a produção de mel no estado, de acordo com o g1. A reportagem ouviu apicultores da zona rural de Boa Vista que relatam perdas de colmeias e queda no rendimento.

O apicultor José Pinheiro, que mantém uma criação na zona rural da capital, afirma que parte dos enxames fugiu para outras regiões para sobreviver. Com menos abelhas, ele precisou retirar caixas de captação, o que diminuiu ainda mais o rendimento. Segundo o g1, a produção dele caiu 80%. "Nos meus apiários, eu já cheguei a produzir até cinco toneladas de mel. Hoje, só estou tirando uma tonelada", diz.

Boa parte das criações de abelhas em Roraima fica no lavrado. De acordo com a reportagem, a vegetação seca típica da região facilita o avanço do fogo, que ameaça queimar as colmeias e matar os insetos. "Quando pega fogo nesse lavrado, não tem como a gente apagar. A labareda é muito forte", relata José Pinheiro.

Na mesma região, o apicultor Anderson Freitas perdeu mais de 20 caixas de abelhas depois que um incêndio destruiu uma propriedade de 200 hectares. Segundo o g1, o fogo começou quando o escapamento de um carro encostou na vegetação seca. As chamas consumiram as colmeias, o veículo e uma carretinha de transporte. "Tive que me afastar e preservar minha vida, porque não conseguia apagar aquele fogo", relembra Freitas.

A seca também afeta a agricultura. Segundo o g1, na zona rural de Boa Vista o prejuízo atinge roças de tomate, milho e couve. O agricultor Carlos Pereira investiu cerca de R$ 12 mil no cultivo de tomate e perdeu grande parte da safra. Ele teme uma piora: "Se continuar mais cinco ou seis meses de verão, eu vou parar. Sem água, não tem como produzir".

O diretor executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Cidinei Lima da Silva, disse ao g1 que a previsão de um fenômeno El Niño mais forte entre novembro e dezembro aumenta o alerta. Segundo ele, os municípios de Iracema, Cantá e Normandia já decretaram situação de emergência, e o órgão apoia com kits de combate, ferramentas e bombas abafadoras.

De acordo com a reportagem, o cenário é mais crítico na região centro-norte do estado, principalmente nas áreas de lavrado. Roraima registrou cerca de 360 focos de calor em outubro, número próximo da máxima histórica para o mês, quando satélites captaram mais de 400 focos, em 2023.

Os ângulos

Apicultores e agricultores

Relatam perdas de enxames, de caixas de abelhas e de safras. José Pinheiro diz que a produção caiu de cinco toneladas para uma, e Carlos Pereira afirma que pode parar de produzir se o verão durar mais cinco ou seis meses.

Defesa Civil Estadual

O coronel Cidinei Lima da Silva afirma que a previsão de um El Niño mais forte entre novembro e dezembro aumenta o alerta, que três municípios já decretaram emergência e que o órgão reforça o apoio com materiais de combate ao fogo.

O que muda para você

Segundo o g1, equipes do governo orientam os produtores rurais sobre os perigos do uso do fogo na limpeza de terrenos durante este período de seca.

Fontes

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