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MEIO AMBIENTE

COP31 começa na segunda em Antália, e Lula levará dados sobre desmatamento

Conferência do clima da ONU vai de 9 a 20 de novembro na Turquia e terá proposta de elevar a eletrificação da economia global a 35% até 2035.

Paralax Brasil · · Edição do dia

A 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP31, começa na segunda-feira (9) em Antália, na Turquia, e vai até 20 de novembro, segundo a Agência Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará e levará números sobre o combate ao desmatamento e a redução da dependência de combustíveis fósseis.

De acordo com a Folha de S.Paulo, o encontro receberá representantes de governos, sociedade civil, empresas e academia, e o braço climático da ONU espera cerca de 60 mil participantes. Em formato inédito, a conferência será chefiada pela Turquia em parceria com a Austrália, que deve liderar as negociações diplomáticas.

A maior aposta dos anfitriões, segundo a Folha, é uma nova meta de chegar a 35% de eletrificação da economia global até 2035. Isso significa ampliar o uso de eletricidade em atividades que hoje dependem de outras fontes, principalmente combustíveis fósseis, como veículos a combustão e fogões a gás. O acordo vem sendo desenhado na chamada Agenda de Ação, sob responsabilidade da Turquia e do ministro de Meio Ambiente do país, Murat Kurum, chefe da COP31.

Na agenda de Lula, de acordo com a Agência Brasil, está a Cúpula de Líderes, nos dias 11 e 12. O presidente deve discursar duas vezes: na cerimônia de abertura, no dia 11 ao meio-dia, reservada a poucos chefes de Estado, e por cerca de três minutos, por volta das 17h, na parte aberta a todos os países. Entre os dois discursos, deve participar de encontro do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, o TFFF, com Noruega, Reino Unido e Holanda, que oficializará o aporte de US$ 500 milhões ao fundo.

Entre os dados que Lula deve citar, segundo a Agência Brasil, estão a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, a economia de R$ 1,16 trilhão obtida com a preservação ambiental e a redução de 9% na emissão líquida de CO₂. A matriz energética chegou a 49,5% de fontes renováveis em 2025, conforme o Balanço Energético Nacional, contra média global de 14,5%. Na matriz elétrica, o índice supera 80%, com 51,2% vindos de hidrelétricas. A Contribuição Nacionalmente Determinada, a NDC, prevê reduzir de 59% a 67% as emissões de gases de efeito estufa até 2035.

A Folha lembra que o Brasil chega com o menor desmatamento já registrado e com queda das emissões pelo terceiro ano seguido, mas convive com a contradição de a Petrobras abrir uma nova fronteira de exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Segundo a Agência Senado, os senadores Fabiano Contarato (PT-ES), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Leany Lemos (PSB-DF) participarão. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi convidado por Lula a integrar a comitiva, mas não confirmou presença.

Os ângulos

Anfitriões (Turquia)

Segundo a Folha, apostam na meta de 35% de eletrificação da economia global até 2035 e veem a COP31 como chance de se posicionar como mediadora na diplomacia climática.

Austrália

De acordo com a Folha, historicamente bloqueou medidas mais ousadas de corte de emissões e agora quer se projetar como líder climática. Seu ministro Chris Bowen, presidente das negociações, anunciou que o texto final deve tratar de adaptação a eventos extremos e do risco de ultrapassar temporariamente o limite de 1,5°C.

Governo brasileiro

Segundo a Agência Brasil, levará números positivos sobre desmatamento e energia. Para integrantes do Itamaraty, os dois discursos previstos de Lula sinalizam o prestígio do país na agenda ambiental.

Observatório do Clima

Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional, disse à Folha que a decisão formal mais importante é sobre o formato do mecanismo de transição justa, criado na COP30. Ainda há divergências, como a vinculação a recursos financeiros.

Instituto Clima e Sociedade

A diretora-executiva Maria Netto afirmou à Folha que a consolidação do TFFF é um dos avanços mais importantes possíveis em Antália, por criar fonte de recursos de longo prazo para manter a floresta em pé.

O que muda para você

Segundo a Folha, as medidas da Agenda de Ação, que reúne temas como oceanos, segurança alimentar e gestão de resíduos, são voluntárias e não têm força de lei. Já a adoção dos mapas globais para a transição dos combustíveis fósseis e para o fim do desmatamento, publicados pelo Brasil, também depende de cada país.

Fontes

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