MEIO AMBIENTE
EUA são exceção entre países ricos na desaceleração das emissões, aponta relatório da ONU
Segundo a Folha de S.Paulo, documento divulgado no dia 21 do mês passado estima aquecimento de 2,6°C neste século, 0,3°C a mais que a projeção anterior; cerca de metade do aumento vem da retirada do compromisso americano.
Paralax Brasil · · Edição do dia
Um relatório científico das Nações Unidas divulgado no dia 21 do mês passado apontou os Estados Unidos como exceção entre as nações industrializadas do G20, grupo das maiores economias do mundo, no ritmo de crescimento das emissões de gases de efeito estufa. De acordo com a Folha de S.Paulo, o documento é o relatório anual sobre a lacuna de emissões, que mede a distância entre o que os países fazem e o que seria necessário para conter o aquecimento.
Segundo o relatório, o crescimento das emissões desacelerou de modo geral entre as nações industrializadas do G20 em 2025, "sendo os Estados Unidos da América a principal exceção". A Folha informa que isso ocorreu após um ano de aumento da demanda por eletricidade, impulsionado pela rápida construção de data centers para atender à inteligência artificial, além de um inverno rigoroso na América do Norte, que levou a maior uso de combustíveis fósseis para aquecimento.
Para a Folha, porém, a medida de maior impacto global foi o abandono do compromisso de reduzir emissões, assumido em 2024 no governo do democrata Joe Biden. O Acordo de Paris, que fixa como meta limitar o aumento da temperatura a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, determina que os países atualizem e reforcem esses compromissos a cada cinco anos. Eles são considerados pilares para alcançar as metas globais. No dia da posse, Donald Trump anunciou a retirada dos EUA do acordo.
De acordo com o relatório, se os demais países cumprirem seus compromissos, a Terra aquecerá 2,6°C neste século em relação à era pré-industrial. A estimativa é 0,3°C superior a uma comparável feita no ano passado, e em torno de metade desse aumento decorre da retirada do compromisso americano. A Folha ressalta que as projeções se baseiam em muitas premissas e refletem um cenário em que políticas climáticas ao estilo de Trump continuam em vigor muito depois do fim de seu mandato.
O relatório afirma que "mudanças recentes nas políticas" dos EUA resultarão em 0,9 gigatonelada de emissões adicionais até 2030, o equivalente ao total anual do Japão. Segundo o jornal, o Climate Action Tracker, grupo de pesquisa independente, descreve as ações de Trump desde janeiro de 2025 como o "retrocesso mais agressivo, abrangente e de maior impacto" que já analisou. Entre elas, a retirada do apoio governamental às energias eólica e solar, o fim dos limites de emissões para usinas que queimam combustíveis fósseis e a revogação da conclusão científica que dá ao governo autoridade para combater as mudanças climáticas.
A Folha lembra que, nos últimos 25 anos, as emissões dos EUA tenderam a cair, enquanto as da China dispararam. As emissões anuais chinesas são hoje 2,5 vezes maiores que as americanas, embora tenham se estabilizado em 2025, com a rápida ampliação da geração eólica e solar. As emissões dos EUA ainda devem diminuir, mas mais lentamente do que ocorreria sem a eliminação das políticas climáticas. O relatório foi divulgado um mês depois de a ONU reconhecer formalmente o fracasso da meta global de limitar o aquecimento a 1,5°C.
Os ângulos
Segundo a Folha, a porta-voz Taylor Rogers afirmou que as Nações Unidas estavam "promovendo a farsa woke da energia verde e pressionando países do mundo inteiro a pôr em risco sua segurança econômica e nacional para cumprir metas climáticas arbitrárias".
O secretário-geral António Guterres, sem citar país, apontou uma "lacuna de liderança" e disse que "os governos precisam ir muito mais longe e agir com muito mais rapidez" na expansão das renováveis e na eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Inger Andersen, diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, disse que "estamos vendo, e continuaremos a ver, impactos em todos os países, incluindo os Estados Unidos".
Finn Hossfeld, do NewClimate Institute, afirmou que "o governo Trump está tentando reverter por completo o rumo que os Estados Unidos vinham seguindo, e isso está sendo percebido e sentido em escala global". Segundo a Folha, os cientistas ressaltam que cada fração de grau adicional aumenta a probabilidade de ondas de calor mais letais, tempestades mais intensas e outros eventos extremos.
O que muda para você
Segundo os cientistas citados pela Folha, cada fração de grau de aquecimento adicional aumenta a probabilidade de ondas de calor mais letais, tempestades mais intensas e outros eventos extremos. O material não detalha efeitos específicos para o Brasil.