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ECONOMIA

Juros futuros disparam e Bolsa chega a cair 15% no pregão seguinte à eleição

Segundo operador do BTG Pactual ouvido pela CNN Brasil, foram negociados R$ 140 bilhões na Bolsa, cerca de três vezes a média dos dias anteriores, e o circuit breaker foi acionado.

Paralax Brasil · · Edição do dia

Os juros futuros tiveram fortes altas no pregão seguinte à eleição presidencial, com avanços superiores a 250 pontos-base, o equivalente a 2,5 pontos percentuais, em alguns contratos, segundo a CNN Brasil. Em entrevista ao CNN Money, Jerson Zanlorenzi, chefe da mesa de derivativos do BTG Pactual, atribuiu o movimento às preocupações dos investidores com o risco estrutural do país.

De acordo com Zanlorenzi, foram negociados R$ 140 bilhões na Bolsa, enquanto a média dos dias anteriores girava entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões. O circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações, chegou a ser acionado com uma queda de 15%, e o dia caminhou para ser o pior desde a pandemia, em março de 2020, segundo a CNN Brasil. No câmbio, o real teve sua pior performance desde 1999.

Segundo o especialista, posições montadas nas semanas anteriores amplificaram a queda. Nas duas ou três semanas que antecederam a eleição, investidores haviam aumentado a exposição a risco com ações de construção civil, varejo, shopping centers e do setor financeiro, setores potencialmente beneficiados por uma redução dos juros. Com a virada do resultado eleitoral no domingo, precisaram desfazer essas posições rapidamente. "O mercado fica vazio na compra, como a gente fala, cai em queda livre", disse. Papéis considerados líquidos chegaram a cair 30%, 40%, 50% e até 60% em um único dia.

Zanlorenzi afirmou que a parte curta da curva de juros segue pressionada por inflação elevada, petróleo a US$ 113 o barril e desvalorização do câmbio, fatores que dificultam a perspectiva de cortes na Selic, a taxa básica de juros. Na parte longa, alguns vértices subiram entre 2% e 2,5%, o que, segundo ele, reflete preocupações com a trajetória da dívida pública. "O Brasil realmente precisa de algumas medidas estruturais, reformas que realmente reduzam o risco Brasil", disse, acrescentando que, com a taxa livre de risco próxima de 14%, fica difícil justificar grandes investimentos de longo prazo.

Para os próximos pregões, o operador avaliou que o mercado deve continuar adicionando prêmio de risco enquanto não houver clareza sobre os planos do governo e medidas concretas. "O mercado não deve dar o benefício da dúvida enquanto não acontecer nada muito concreto", afirmou. Segundo ele, a retomada do apetite ao risco só deve ocorrer quando o índice se estabilizar e a volatilidade começar a recuar.

Em coluna publicada na Folha de S.Paulo, a discussão sobre quem será o próximo ministro da Fazenda é considerada deslocada. O texto cita especulações sobre a manutenção do atual ministro, Dario Durigan, ou a troca por nomes como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles. Para o colunista, os juros são elevados porque o gasto primário cresce sistematicamente acima da economia, que opera a plena carga. Segundo a coluna, nos anos de Lula na Presidência, com exceção de 2003 e 2025, o gasto primário real cresceu em média 7,8% ao ano, ante crescimento médio de 4% da economia.

Os ângulos

Jerson Zanlorenzi, chefe da mesa de derivativos do BTG Pactual, à CNN Brasil

A queda reflete preocupação com o risco estrutural do país e com a dívida pública; o mercado deve seguir pressionando dólar, juros e ações até haver medidas concretas e clareza sobre os planos do governo.

Coluna na Folha de S.Paulo

Pouco importa quem ocupará a Fazenda: sem medidas que façam o gasto primário crescer no mesmo ritmo ou abaixo da economia, os juros não cairão, e o presidente Lula não reconhece essa relação.

O que muda para você

Segundo o operador ouvido pela CNN Brasil, inflação elevada, petróleo caro e câmbio desvalorizado dificultam cortes na Selic, e a volatilidade deve continuar enquanto o governo não apresentar medidas concretas.

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