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Peña é transferido para unidade militar após impeachment e protestos em Assunção

Ex-presidente do Paraguai deixou a prisão domiciliar por razões de segurança; Pedro Alliana assumiu o governo até 2028.

Paralax Brasil · · Edição do dia

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi transferido da prisão domiciliar para o Regimento de Escolta Presidencial, uma unidade militar em Assunção, na noite de sexta-feira (6). A informação é do jornal paraguaio ABC Color, segundo o Poder360 e o g1. Peña foi destituído no mesmo dia, depois de o Senado aprovar o impeachment.

De acordo com o ABC Color, a mudança ocorreu por razões de segurança, depois de confrontos entre policiais e manifestantes perto da residência de Peña, no bairro de Mbocayaty. Segundo o Poder360, os manifestantes exigiam prisão em regime fechado. O comboio tinha ao menos quatro caminhonetes, e moradores lançaram ovos e gritaram ofensas. O g1 explica que o regimento é uma instalação militar usada para proteger o presidente paraguaio, sua família e autoridades estrangeiras em visita, e que não é uma prisão.

As fontes dão o horário com mais ou menos detalhe. O Poder360 fala em noite de sexta-feira. O g1 diz que a saída ocorreu na noite de sexta, pouco antes da meia-noite. Segundo o g1, Peña deve comparecer neste sábado a uma promotoria, às 10h no horário de Brasília. De acordo com a CNN Brasil, o promotor Christian Benítez afirmou que as acusações ainda estão sendo definidas. Entre os crimes em análise estão abuso de confiança e tráfico de influência. Cabe a um juiz de garantias decidir onde Peña ficará durante o processo.

Segundo a CNN Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou a acusação na quinta-feira (5), por 78 votos a favor e nenhum contra. Antes da votação, Peña havia anunciado a renúncia. A oposição resistiu à renúncia porque entendia que ela poderia preservar o foro privilegiado. Na sexta-feira, de acordo com o Poder360, o Senado aprovou o impeachment por unanimidade: 44 dos 45 senadores estavam presentes e votaram a favor. A defesa pediu ampliar o prazo de 12 para 72 horas, e o pedido foi rejeitado. Peña não compareceu e foi representado pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda.

A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou a liquidação do Ueno Bank, segundo a CNN Brasil. A instituição tinha índice de solvência abaixo da metade do mínimo exigido. Cerca de 3 milhões de clientes, quase metade dos 6,5 milhões de habitantes do país, ficaram sem acesso às contas. O banco também administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. A CNN Brasil informa que Peña nega irregularidades.

O economista e cientista político Víctor Raúl Benítez, ouvido pela CNN Brasil, chamou a queda de Peña de golpe político 'palaciano', articulado entre aliados. Ele apontou o vice-presidente Pedro Alliana e o presidente do Partido Colorado, Horacio Cartes, como figuras centrais. Alliana assumiu o comando do país para concluir o mandato, previsto para terminar em 2028.

Os ângulos

Oposição paraguaia

Segundo o Poder360 e a CNN Brasil, acusa Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central. Também diz que os empréstimos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez ultrapassaram os limites regulatórios.

Santiago Peña e defesa

De acordo com a CNN Brasil, Peña nega irregularidades e anunciou a renúncia dizendo pensar na estabilidade do país, na paz social e nas instituições. Os advogados pediram mais prazo para a defesa, e o pedido foi negado.

Ministério Público

Segundo a CNN Brasil, o promotor Christian Benítez disse que as acusações ainda serão formuladas depois da análise das provas. Citou abuso de confiança e tráfico de influência entre os possíveis crimes.

Víctor Raúl Benítez, especialista

Segundo a CNN Brasil, avalia que a queda foi um golpe 'palaciano' articulado dentro do campo político de Peña, com papel de Alliana e de Cartes. Também prevê um governo em 'piloto automático' até as próximas eleições.

O que muda para você

Pedro Alliana comanda o país até o fim do mandato, previsto para 2028. Peña deve ser ouvido neste sábado, e um juiz de garantias decidirá onde o ex-presidente ficará durante o processo.

Fontes

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