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Peña pede mais 72 horas e enfrenta julgamento de impeachment no Senado do Paraguai

Presidente anunciou renúncia, mas segue no cargo; Câmara aprovou o processo por unanimidade após o colapso do Ueno Bank, que afetou cerca de 3 milhões de clientes.

Paralax Brasil · · Edição do dia

O Senado do Paraguai deve retomar nesta sexta-feira (6) o julgamento de impeachment do presidente Santiago Peña, do Partido Colorado. A sessão está marcada para as 10h, segundo a CNN Brasil e o Poder360. O processo foi aberto depois que a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a abertura do julgamento na quinta-feira (5).

De acordo com a CNN Brasil, que cita a emissora local ABC, Peña pediu ao Senado uma prorrogação de 72 horas para apresentar a defesa. O argumento é que um prazo de menos de 12 horas seria insuficiente. O presidente afirma ter sido notificado às 22h15 de quinta-feira. O material não informa se o pedido foi aceito.

A crise foi provocada pelo colapso do Ueno Bank. Segundo o Poder360, o Banco Central do Paraguai interveio na instituição na segunda-feira (2), ao constatar que o índice de solvência havia caído para menos de 50% do mínimo exigido em lei. A CNN Brasil afirma que o banco fechou as portas na terça-feira (3), depois de o Banco Central iniciar um processo de liquidação. Autoridades falam em cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas. O Poder360 cita mais de 2,9 milhões de clientes afetados e diz que o número equivale a quase metade da população do país.

Segundo a CNN Brasil, o banco concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, o equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña assumiu o governo em 2023 e foi acionista até março de 2025 do Grupo Vázquez, controlador do Ueno. O Ministério Público paraguaio abriu investigação contra o presidente.

Peña anunciou a renúncia nas redes sociais na quinta-feira. Os dois veículos divergem sobre o que aconteceu depois. A CNN Brasil diz que o Congresso rejeitou a renúncia. O Poder360 relata que a sessão conjunta que analisaria o tema terminou sem votação, porque deputados governistas deixaram o plenário e derrubaram o quórum. Nos dois relatos, Peña continua formalmente na Presidência.

Pelo rito descrito pelo Poder360, o presidente do Senado, Basilio Núñez, disse ao jornal ABC Color que a defesa seria apresentada às 10h, sem limite de tempo. Por volta das 13h, os senadores avaliariam as provas. Para destituir um presidente são necessários dois terços dos 45 senadores, ou seja, 30 votos. A votação final poderia ocorrer ainda nesta sexta, se não houver atrasos.

Na quinta, a Câmara rejeitou também o impeachment do vice-presidente, Pedro Alliana, por 48 votos a 30. Segundo o Poder360, ele se consolida como o nome mais provável para assumir a Presidência até agosto de 2028. O Poder360 informa ainda que sete pessoas foram detidas depois de vandalizar uma agência do Ueno em Assunção, durante protestos na noite de quinta. Um policial ficou ferido na cabeça.

Os ângulos

Oposição paraguaia

Acusa Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central. Defende o impeachment e rejeitou a renúncia para evitar que Peña se torne senador vitalício, com foro privilegiado. A senadora Yolanda Paredes disse que aceitar a renúncia transformaria "um ladrão em senador vitalício", segundo a CNN Brasil.

Santiago Peña

Afirmou, na rede social X, que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções. Pediu que os setores políticos coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro. Disse que exercerá o direito de defesa e, segundo o Poder360, que se defenderá "com argumentos e provas".

Partido Colorado

A legenda de Peña está dividida, segundo a CNN Brasil. O deputado Roberto González recusou a saída do presidente. O senador Gustavo Leite defendeu a renúncia e disse que o impeachment "será um circo".

Governo argentino

Segundo o Poder360, congressistas da oposição paraguaia afirmaram que Peña deixou o país rumo à Argentina e pediu asilo ao presidente Javier Milei. O governo argentino negou que ele tenha entrado no país.

O que muda para você

O material informa que Peña promulgou uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar o dinheiro em menos tempo. Não detalha prazos nem valores.

Fontes

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