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ECONOMIA

Banco Central mantém a Selic e é visto por economistas como independente do governo

Segundo economistas ouvidos pela CNN, o Copom não cedeu a apelos por corte de juros nem sinalizou alta, e buscou um ponto intermediário.

Paralax Brasil · · Edição do dia

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central manteve a taxa Selic inalterada. Segundo economistas ouvidos pelo CNN Money, a decisão evitou ceder a pressões e buscou um ponto "no meio do caminho".

De acordo com a CNN Brasil, o Copom não seguiu os apelos do governo e de aliados por um corte de juros. Ao mesmo tempo, subiu a régua contra expectativas de elevação das taxas.

Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, disse que o Banco Central tenta "colocar a bola no chão". Em sua leitura, a mensagem ao mercado é que o cenário não é nem tanto para alta, nem tanto para corte. Ele citou que a curva de juros futuros projeta uma Selic de 15,5%. Honorato avalia que o BC poderia considerar um corte nesta reunião, não fosse pelas discussões dos últimos dias.

A tensão entre governo e mercado aumentou quando circularam rumores de que o presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se reuniria com André Lara Resende, um dos "pais" do Plano Real. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que um encontro estivesse sendo organizado. Em setembro, Lara Resende publicou artigo em que defendia a redução de juros como caminho para conter o crescimento da dívida e propunha um comitê para tratar das políticas fiscal e monetária ao mesmo tempo. O texto também falava em "interesses" por trás dos juros altos. A discussão se espalhou pelas redes sociais e envolveu quadros do Partido dos Trabalhadores.

José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, escreveu que a pausa nos cortes "muito provavelmente vai gerar uma certa insatisfação". Para ele, também é um sinal de que o Copom segue independente e tenta decidir sem interferência política.

Fabio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central e fundador da consultoria FKX.Macro, afirmou que cortar a Selic seria "gravoso" com as expectativas de inflação desancorando. Segundo ele, a comunicação do BC "chega no meio do caminho", que seria a intenção do colegiado: "não brigo com ninguém".

A tese mais aceita entre economistas ortodoxos, segundo a CNN, é que os juros seguirão altos enquanto a dívida pública continuar subindo. Por isso, os agentes econômicos cobram do governo uma política de ajuste fiscal considerada crível.

Os ângulos

Economistas do mercado

Camargo vê a manutenção como sinal de independência do BC. Honorato e Kanczuk a leem como tentativa de meio-termo, num cenário de expectativas de inflação desancorando e de dívida em alta. Kanczuk diz que cortar seria "gravoso".

Governo e aliados

Segundo a CNN, pediam corte de juros. Camargo prevê insatisfação com a pausa. Lara Resende, citado na reportagem, defendeu em artigo a redução de juros para conter a dívida.

O que muda para você

O material não detalha efeitos diretos para o leitor. Os economistas ouvidos afirmam que os juros tendem a continuar elevados enquanto a dívida pública subir.

Fontes

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