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TECNOLOGIA

Binance diz ter reposto 90% dos ativos levados em ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Corretora afirma que usará recursos próprios para cobrir todo o prejuízo; empresas de rastreamento atribuem o ataque a hackers ligados à Coreia do Norte.

Paralax Brasil · · Edição do dia

A corretora de criptomoedas Binance anunciou neste sábado, 31, que cobriu 90% do valor roubado no ataque hacker sofrido pela empresa, segundo a Folha de S.Paulo e o g1. Os 10% restantes são tokens menos negociados, o que pode atrasar a compra nas quantidades necessárias. Segundo o g1, dez criptomoedas, entre elas bitcoin e ether, já estão com valores totalmente cobertos, e a corretora diz que continuará comprando até repor 100%.

De acordo com a Folha, hackers roubaram US$ 6,3 bilhões da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, em ataque que analistas consideram possivelmente o maior golpe financeiro de todos os tempos. O recorde anterior era de US$ 1,5 bilhão, subtraído da plataforma Bybit em fevereiro do ano passado. Segundo o g1, o ataque ocorreu na quinta-feira, 29, e a maior parte do roubo aconteceu em cerca de 20 minutos, por volta das 17h, horário de Brasília.

As fontes detalham de formas diferentes a origem do dinheiro. Segundo a Folha, o co-CEO Richard Teng afirmou que a empresa reservou mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios, dos quais US$ 5 bilhões já mantidos nos mesmos tokens afetados. O g1 informa que a Binance usa o Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU), criado em 2018 para situações excepcionais, parte de um fundo de seguro e dinheiro do próprio caixa, e que pretende recompor o SAFU para cerca de US$ 1 bilhão.

Sobre os valores bloqueados, a Folha relata que a empresa anunciou o congelamento de US$ 2,54 bilhões, número que depois subiu para US$ 3 bilhões, e que cerca de metade dos ativos foi congelada por emissores de stablecoins, criptomoedas atreladas a moedas como o dólar, entre eles Tether, Circle e World Liberty Financial. O g1 diz que, até sexta-feira, cerca de US$ 3 bilhões haviam sido localizados, parte bloqueada, o que não significa que o dinheiro tenha sido recuperado.

Segundo as empresas americanas TRM Labs e Chainalysis, citadas pelo g1, os responsáveis seriam hackers ligados à Coreia do Norte. A Binance afirma que sua investigação ainda não identificou os criminosos e, de acordo com a Reuters, trabalha com autoridades como o FBI, a polícia federal americana, e o Serviço Secreto dos Estados Unidos. A empresa disse que a investigação inicial apontou a invasão do laptop de um engenheiro como possível porta de entrada, mas depois identificou outros pontos de invasão. "Não encontramos evidências de qualquer vazamento de chaves privadas de carteiras", afirmou.

Os saques seguem suspensos. Segundo a Folha, a Binance trabalha para restaurar o sistema em cerca de 34 horas, o que sugere por volta das 3h de domingo, 1º de novembro, no horário de Brasília; o g1 informa que a previsão é de liberação neste domingo. A partir de terça-feira, 3, os clientes poderão verificar se seus investimentos estão integralmente respaldados por ativos da plataforma, segundo o g1. As criptomoedas, que caíram na sexta-feira, voltaram a subir neste sábado: por volta das 12h, o bitcoin tinha alta de 0,22%, a US$ 77.430.

Os ângulos

Binance

Afirma que cobrirá integralmente o impacto financeiro com recursos próprios, que sua investigação ainda não identificou os autores e que não há evidência de vazamento de chaves privadas.

TRM Labs e Chainalysis, empresas de rastreamento de criptomoedas

Atribuem o ataque a hackers ligados à Coreia do Norte; segundo a TRM Labs, os invasores comprometeram o sistema que autoriza transferências.

O que muda para você

Para clientes da Binance, os saques devem ser liberados no domingo, 1º, e, a partir de terça-feira, 3, será possível verificar se os investimentos estão integralmente respaldados, segundo a corretora.

Fontes

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