BuscarEntrar
Paralax Brasil

Notícias em vídeo e texto, com as fontes

ECONOMIA

Copom decide juros sob pressão pós-eleição; Lula não vai antecipar nome da Fazenda

Segundo a Folha, parte do mercado já não aposta em novo corte da Selic, hoje em 13,75% ao ano; presidente deve indicar ministro só após viagem.

Paralax Brasil · · Edição do dia

O Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, decide na quarta-feira (4) o rumo da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 13,75% ao ano. Segundo a Folha de S.Paulo, a piora na percepção de risco dos investidores após a reeleição do presidente Lula (PT) deve pressionar o comitê a interromper o ciclo de cortes.

Segundo o jornal, uma parcela significativa dos agentes econômicos abandonou a aposta em um novo corte de 0,25 ponto percentual, que seria o sexto seguido. A Folha cita como fatores a depreciação do câmbio, a incerteza fiscal, o estresse nos juros futuros e a alta do petróleo. O dólar fechou a sexta-feira (30) a R$ 5,447, com alta semanal de 9,18%, a maior em 18 anos, segundo o jornal.

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, da Tendências Consultoria, disse à Folha estar mais inclinado à manutenção dos juros, embora não descarte corte de 0,25 ponto, para 13,5%. Para ele, medidas expansionistas do governo anulam o esforço do BC para frear a demanda.

O ex-diretor do BC Sérgio Werlang, da FGV, espera que o Copom pare para observar se as mudanças no câmbio e nas expectativas de inflação são permanentes. Ele disse que, se o câmbio subir muito acima de R$ 5,40, o BC pode ser forçado a elevar os juros. A economista Fernanda Guardado, do BNP Paribas, estima que a projeção do boletim Focus para a inflação de 2027 deve passar de 5%, acima do teto da meta, de 4,5%.

Do lado do governo, a Folha informa que aliados de Lula e integrantes do PT passaram a classificar como especulativa a pressão por ajuste fiscal e a defender que eventuais cortes de gastos preservem programas sociais.

Em outra reportagem, a Folha diz que Lula descartou, em conversas com aliados, antecipar o nome do ministro da Fazenda do quarto mandato para acalmar o mercado. Segundo o jornal, ele tem dito que seria uma concessão indevida. A tendência é indicar o ministro apenas na volta de uma viagem internacional que começa em uma semana, com ida à Turquia para a COP31 e possível passagem pelas Filipinas, com retorno no fim de novembro.

Os nomes mais cotados, de acordo com a Folha, são o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT). A permanência de Dario Durigan não está descartada. Os demais ministros devem começar a ser anunciados em três a quatro semanas.

Os ângulos

Economistas ouvidos pela Folha

Veem risco fiscal e cambial maior após a eleição e esperam postura mais cautelosa do Copom, com pausa nos cortes. Loyola e Werlang dizem que o cenário só melhora com sinais de ajuste fiscal, e Werlang cita risco de dominância fiscal se a política for igual à do terceiro mandato.

Governo Lula e PT

Segundo a Folha, aliados do presidente consideram especulativa a pressão do mercado por ajuste fiscal e defendem que eventuais cortes de gastos preservem programas sociais. Lula vê a antecipação do nome da Fazenda como concessão indevida ao mercado.

Fontes

Mais de economia

Mais notícias