INTERNACIONAL
Democratas vencem as duas Casas do Congresso dos EUA e Trump admite peso da guerra no Irã
Resultado das eleições de meio de mandato reabre dúvidas sobre os rumos da política externa americana em relação a Irã, Israel e Ucrânia.
Paralax Brasil · · Edição do dia
O Partido Democrata conquistou maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). Segundo a Folha de S.Paulo, as maiorias são confortáveis. A CNN Brasil descreve o resultado como um "tsunami azul".
De acordo com a Folha, o presidente Donald Trump afirmou que a guerra no Irã contribuiu para a derrota republicana. A alta de preços, que tem a guerra como pano de fundo, pautou a campanha, e até aliados de Trump apontaram as políticas dele como responsáveis. Segundo a CNN, o vice-presidente JD Vance escreveu no X que "a razão pela qual perdemos é a guerra".
Trump reconheceu a derrota e falou em trabalhar com os democratas, mas também em usar o poder de veto da Presidência, conforme a Folha. A CNN observa que os democratas terão novos instrumentos para desafiar o presidente, mas que ele mantém considerável liberdade de ação no exterior.
Sobre a economia, a CNN afirma que o desemprego está baixo e o consumo das famílias se manteve resiliente. Segundo a emissora, a inflação voltou depois do início da guerra: petróleo e diesel dispararam, e a gasolina nunca esteve tão cara em um dia de eleição. Pesquisadores da Universidade Brown calculam que os combustíveis acrescentaram US$ 1.150 em custos para a família americana média desde o início do conflito. A aprovação líquida de Trump na economia é de -46 pontos, segundo pesquisa da CNN de outubro.
Para o Irã, a CNN descreve um cenário de dois caminhos: novos ataques americanos ou uma retomada de acordo. Trump teria dito a alguns jornalistas que considera atacar com força e a outros que não tem planos imediatos de escalar. Segundo a emissora, as negociações ganharam impulso na última semana, com mediadores do Catar circulando propostas. Antes da votação, o Irã ofereceu abrir o Estreito de Ormuz em dois dias se Trump aceitasse sete condições.
Em Israel, a CNN relata que o anúncio, no dia da eleição, de que Trump cortaria abruptamente a ajuda militar ao país foi a primeira surpresa. Michael Oren, ex-embaixador israelense nos EUA, disse que "o único tema bipartidário no momento é a crítica a Israel". Sobre a Ucrânia, o material citado apenas lista o país entre os que acompanham o efeito do resultado sobre a pressão de Washington por um fim da guerra.
Os ângulos
Trump admitiu que a guerra no Irã pesou na derrota, segundo a CNN, e reconheceu os aumentos de preços. Segundo a Folha, falou em trabalhar com os democratas, mas também em usar o veto.
Segundo a CNN, Teerã comemorou o revés de Trump. O líder supremo, Mojtaba Khamenei, disse que quem acredita que o resultado mudará a política dos EUA está "profundamente enganado". Autoridades dizem que a estratégia não depende das eleições americanas e que se preparam para mais guerra enquanto intensificam a diplomacia.
Ali Vaez, do International Crisis Group, vê Trump diante da escolha entre um acordo que salve as aparências e uma escalada militar, e alerta que um presidente enfraquecido pode buscar redenção no campo de batalha. Sanam Vakil, do Chatham House, espera diplomacia intensificada com ameaças militares e considera mais realista um acordo provisório sobre Ormuz do que um abrangente.
O que muda para você
O material não aponta efeitos diretos para o leitor brasileiro. Ele indica que o resultado pode influenciar se os EUA buscarão acordo ou mais confronto com o Irã, e que os democratas ganham instrumentos para contestar Trump.
Fontes
- CNN Brasil: O que virada democrata nos EUA pode significar para Irã, Israel e Ucrânia
- Folha de S.Paulo: Podcast discute impacto da derrota de Trump em eleições de meio de mandato
- CNN Brasil: Como a economia ajuda a explicar a virada dos Democrata nos EUA?
- CNN Brasil: Aborto, direitos trans e taxação de bilionários dividem votações nos EUA