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TECNOLOGIA

Empresa que gere plataforma do Smart Sampa foi criada um mês após contrato com a prefeitura

A SentinelX abriu 29 dias depois da assinatura do contrato, em agosto de 2023, e entrou no consórcio responsável pelo programa em 2024, segundo a Folha de S.Paulo.

Paralax Brasil · · Edição do dia

A SentinelX, empresa responsável pela plataforma digital do programa Smart Sampa que estava vulnerável a acessos indevidos, foi criada um mês após a assinatura do contrato de prestação de serviço, de acordo com a Folha de S.Paulo. O contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o consórcio Smart City SP para a implantação do programa foi assinado em agosto de 2023.

Segundo informações da Junta Comercial paulista citadas pela Folha, a SentinelX foi aberta 29 dias depois. Um ano mais tarde, a empresa substituiu no consórcio outra fornecedora de tecnologia de câmeras de vigilância, a Camerite, de Joinville (SC). A gestão municipal aprovou a entrada da SentinelX no grupo apenas em outubro de 2024, quando o programa já estava oficialmente inaugurado.

De acordo com o jornal, é o nome da SentinelX que aparece nos sistemas internos do Smart Sampa quando agentes de segurança navegam por imagens de câmeras de vigilância e pesquisam dados de suspeitos identificados pela tecnologia de reconhecimento facial. A Folha informa ainda que dados disponibilizados no site da empresa indicam que o acesso não autorizado às imagens, revelado em reportagem do colunista Artur Rodrigues, do UOL, ocorreu por meio da plataforma da SentinelX.

A Folha afirma que procurou a SentinelX e o Consórcio Smart City SP na última semana, por email oficial, telefonemas a sócios e assessores e mensagens por aplicativo, e que nenhum dos dois respondeu. A Prefeitura de São Paulo declarou que "não há nenhuma fragilidade nos mecanismos de segurança da plataforma do Programa Smart Sampa". Segundo a gestão municipal, "o que houve foi um vazamento ilegal de dados por parte de um servidor da Guarda Civil Metropolitana entre os mais de 7.500 agentes de segurança".

O professor Marcelo Proença, da FGV Law, disse à Folha que mudanças na composição de consórcios que contratam com o poder público são vetadas como regra e admitidas apenas em caráter excepcional, conforme o entendimento do TCU (Tribunal de Contas da União). Para ele, é preciso levar em conta o histórico da empresa, sobretudo quando o contrato envolve informações sensíveis, como no Smart Sampa.

Proença afirmou ainda que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) pode instaurar procedimentos para analisar a mudança no consórcio caso haja suspeita de limitação à concorrência. Segundo ele, embora a formação de consórcios em licitações públicas não exija aprovação prévia do Cade, o conselho tem entendido que pode agir sobre atos posteriores à licitação.

A reportagem também trata das credenciais da SentinelX. Até a semana retrasada, a empresa se apresentava em seu site como EED (Empresa Estratégica de Defesa) e parceira da Microsoft. A Folha diz que a SentinelX não consta da lista de empresas credenciadas pelo Ministério da Defesa. Só há um produto com esse nome registrado, em nome da Bembras Integração e Engenharia, que tem um sócio em comum com a SentinelX, Jorge Marques Moura. As duas empresas não têm participação societária entre si.

Entre os dias 22 e 23 de outubro, após a Folha questionar o ministério sobre o uso do selo, a SentinelX retirou a marca de seu site. O Ministério da Defesa não respondeu. A Microsoft Brasil afirmou que, após verificações internas, "não identificou a SentinelX como integrante de seu programa de parceiros". O uso indevido de selos utilizados pela administração pública é crime, punível com até seis anos de reclusão e multa, segundo a Folha.

Os ângulos

Prefeitura de São Paulo

Afirma que não há fragilidade nos mecanismos de segurança da plataforma e que houve um vazamento ilegal de dados por parte de um servidor da Guarda Civil Metropolitana, entre mais de 7.500 agentes.

Marcelo Proença, professor da FGV Law

Diz que mudanças em consórcios são vetadas como regra e admitidas só excepcionalmente, e que o histórico da empresa deve ser considerado em contratos que envolvem informações sensíveis.

SentinelX e Consórcio Smart City SP

Não responderam aos contatos da Folha de S.Paulo.

Fontes

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