BuscarEntrar
Paralax Brasil

Notícias em vídeo e texto, com as fontes

TECNOLOGIA

Risco de ataque hacker a geladeiras no Brasil é baixo, dizem especialistas ouvidos pela Folha

Após invasões a redes de supermercados em 11 países da Europa, que elevaram temperaturas a até 55°C, especialistas veem baixa probabilidade de caso semelhante no país, mas não descartam ataques.

Paralax Brasil · · Edição do dia

A onda de ataques hackers a redes de supermercados em 11 países da Europa provocou o superaquecimento de equipamentos e a perda de toneladas de alimentos, segundo a Folha de S.Paulo. O episódio levou o setor varejista e consumidores brasileiros a perguntar se geladeiras e freezers vendidos no Brasil também poderiam ser invadidos e descongelados a distância.

De acordo com especialistas ouvidos pela Folha, o risco de um ataque semelhante no país é baixo. As geladeiras domésticas vendidas no Brasil não possuem recursos de controle remoto de temperatura via internet, o que impede que sejam descongeladas a distância. A reportagem também informa que não há relatos de incidentes ou invasões desse tipo em eletrodomésticos no país. No setor comercial, que inclui supermercados e redes de distribuição, a probabilidade também é considerada baixa por especialistas e entidades do setor.

Na Europa, segundo a Folha, os invasores exploraram vulnerabilidades em equipamentos conectados à internet por meio de endereços IP públicos inseguros e softwares desatualizados. Com acesso aos controladores centrais, alteraram remotamente os parâmetros dos aparelhos, acionaram ciclos de degelo prolongados e elevaram as temperaturas internas a até 55°C em lojas da Suécia e da Bélgica.

Rogério Marson Rodrigues, líder em engenharia e desenvolvimento de tecnologias na Eletrofrio Refrigeração e integrante da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento), afirma que não é possível descartar ataques no Brasil. Segundo ele, operadores de redes de dados acompanham os episódios europeus e reforçaram a segurança das estruturas brasileiras desde que os primeiros casos foram registrados, em setembro. Ele relata ter conversado com um operador, que não quis ser identificado, responsável pelos balcões refrigerados de uma grande rede de supermercados. Conforme o relato, a empresa usa VPN (rede privada virtual), firewall, senhas fortes e atualiza os softwares periodicamente.

Para Rodrigues, a principal fragilidade estaria em redes menores, nas quais o próprio estabelecimento administra a infraestrutura de dados e pode usar senhas pouco seguras. Ainda assim, ele considera pequena a probabilidade de um ataque. O especialista aponta ainda uma diferença entre os mercados: as redes europeias estão conectadas há décadas e, em muitos casos, usam hardwares e softwares antigos, sem atualização, enquanto no Brasil a adoção dessas tecnologias é mais recente, de cerca de dez anos.

A Folha ressalta que nem todo eletrodoméstico considerado inteligente permite acesso remoto às suas funções, e que os modelos sem conexão à internet não estão expostos ao mesmo tipo de invasão. Isso, porém, não elimina os riscos associados a outros aparelhos conectados vendidos no país. A segurança depende de diferentes componentes: o eletrodoméstico, os aplicativos, os serviços de conexão e a rede usada pelo consumidor.

A Eletros, associação que representa a indústria de eletrodomésticos e eletroeletrônicos de consumo, afirma que os fabricantes dispõem de mecanismos de proteção, atualizações de software e canais para receber notificações de vulnerabilidades. A Whirlpool, fabricante das geladeiras Brastemp, diz que seus produtos passam por avaliações internas, testes de segurança cibernética baseados em padrões internacionais e monitoramento preventivo.

Os ângulos

Especialistas ouvidos pela Folha

O risco de ataque semelhante no Brasil é baixo, pois as geladeiras domésticas vendidas no país não têm controle remoto de temperatura via internet e não há relatos de incidentes do tipo. Para o setor comercial, a probabilidade também é considerada baixa.

Rogério Marson Rodrigues, da Eletrofrio e da Abrava

Não é possível descartar ataques no Brasil. Redes de dados reforçaram a segurança desde setembro, mas redes menores, administradas pelo próprio estabelecimento, podem ser mais frágeis. Ele considera pequena a probabilidade de ataque.

Eletros

Os fabricantes dispõem de mecanismos de proteção, atualizações de software e canais para notificação de vulnerabilidades, com avaliação técnica e correções quando uma falha é identificada.

Whirlpool

Seus produtos passam por avaliações internas e testes de segurança cibernética. Segundo Lucas Magalhães, diretor de marketing de produto da empresa na América Latina, o episódio europeu serve como alerta preventivo para o mercado doméstico, e a crescente conectividade exige atenção constante a padrões de segurança digital.

O que muda para você

Segundo a Folha, as geladeiras domésticas vendidas no Brasil não têm controle remoto de temperatura via internet, o que impede o descongelamento a distância. Aparelhos conectados, porém, ainda envolvem riscos que dependem do eletrodoméstico, dos aplicativos, dos serviços de conexão e da rede do consumidor. Equipamentos com wi-fi e Bluetooth estão sujeitos às exigências aplicáveis da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), e o Inmetro define requisitos obrigatórios de segurança para as categorias que regulamenta.

Fontes

Mais de tecnologia

Mais notícias