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INTERNACIONAL

França tem nova greve e protestos contra custo de vida, com 70 mil policiais mobilizados

O serviço de inteligência interna espera entre 500 mil e 700 mil pessoas fora de Paris, a cinco meses da eleição presidencial e em meio a críticas à atuação do governo Macron.

Paralax Brasil · · Edição do dia

A França teve nesta quinta-feira (5) um novo dia de greve e protestos contra o custo de vida, os serviços públicos e a educação. Segundo o g1, grandes manifestações ocorreram em Paris, Lyon e Marselha. De acordo com a CNN Brasil, a mobilização foi convocada por sindicatos, entre eles a CGT, de esquerda, e apoiada por grupos estudantis.

Cerca de 260 protestos estavam previstos, segundo os sindicatos citados pelo g1. A dirigente da CGT, Sophie Binet, falou em 260 cidades e municípios. O serviço de inteligência interna espera de 500 mil a 700 mil pessoas fora de Paris, informa a CNN. O g1 acrescenta a expectativa de 40 mil a 80 mil na capital. Em alguns dias, as manifestações chegaram a reunir quase 1,3 milhão de pessoas, segundo as autoridades.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou 70 mil policiais mobilizados, com apoio de blindados, drones e helicópteros, e prometeu "uma resposta extremamente firme" a distúrbios. Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar jovens e impediu bloqueios de escolas, segundo o g1. A CNN relata confrontos entre estudantes e tropa de choque pela manhã. Autoridades da Bretanha disseram que jovens cometeram "graves atos de violência" em Rennes, incluindo arremesso de bolas de aço contra a polícia.

Os estudantes secundaristas iniciaram os protestos em meados de setembro. Mantiveram a mobilização mesmo depois de algumas respostas do governo, como a mudança no sistema de admissão às universidades, que consideraram insuficientes. Hoje, segundo o g1, também participam os coletes amarelos, que retomaram os atos em outubro, e agricultores da Confederação Camponesa. Os sindicatos pedem aumento do salário mínimo e dos salários em geral, mais justiça fiscal e preservação dos serviços públicos.

Os relatos divergem sobre o impacto nos serviços. O g1 diz que o transporte público foi severamente afetado e que centenas de escolas secundárias fecharam ou não funcionaram. A CNN afirma que não foram relatados grandes problemas na rede de transportes, mas que a greve reduziu a geração de energia nuclear. O Ministério da Educação esperava adesão de 17,5% dos professores do ensino fundamental da rede pública.

As manifestações ocorrem nos últimos meses de Emmanuel Macron, que deve deixar o poder em maio. Em 17 de outubro, tumultos e saques danificaram lojas e prédios públicos e geraram críticas à condução da crise. Desde então o governo aumentou o policiamento e chegou a proibir manifestações nos centros das cidades, segundo o g1. Associações de juízes, de advogados, sindicatos e organizações de direitos humanos denunciaram uma "guinada autoritária".

Os ângulos

Governo francês

Defendeu a atuação da polícia, mas disse que eventuais abusos serão investigados, segundo a CNN. Nuñez prometeu resposta firme a distúrbios. Uma autoridade próxima a Macron disse que o objetivo é fazer "o rio que transbordou voltar ao seu leito" e iniciar a campanha em condições tranquilas.

Sindicatos

Binet pediu comparecimento em grande número. Marylise Léon, da CFDT, previu "uma bela mobilização" e a comparou aos atos de 2023 contra o aumento da idade de aposentadoria. Pedem aumento salarial, justiça fiscal e defesa dos serviços públicos.

Estudantes

Dizem que as medidas do governo não bastam e que as condições nas escolas e a incerteza sobre o futuro continuam preocupando. A estudante Irma de Banville, de 19 anos, disse que muitos têm medo da violência policial.

Oposição e entidades de direitos humanos

A líder ecologista Marine Tondelier disse que Macron termina o mandato "sozinho, contra todos" e que o governo terá dificuldade diante de uma "convergência de lutas". Juízes, advogados e organizações de direitos humanos denunciam uma "guinada autoritária".

Fontes

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