INTERNACIONAL
Irã propõe reabrir Estreito de Ormuz em dois dias se EUA aceitarem condições
Porta-voz da chancelaria iraniana diz que prazo cai de sete para dois dias, mas afirma que "tudo depende" de Washington aceitar as exigências de Teerã.
Paralax Brasil · · Edição do dia
O Irã avalia reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, e não mais em sete, como previsto anteriormente, caso os Estados Unidos aceitem as condições apresentadas por Teerã. A declaração foi feita nesta segunda-feira (2) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, segundo o g1.
"A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da boa-fé do Irã", afirmou Baqaei. Ele acrescentou que, se as demandas iranianas forem atendidas, será possível restaurar a segurança no estreito e retomar as negociações "em um prazo muito curto".
De acordo com o g1, o porta-voz disse que a troca de mensagens com os Estados Unidos continua por meio de mediadores. Para ele, "tudo depende" de Washington aceitar as condições. "Só então poderemos falar das etapas posteriores", declarou.
O estreito é uma rota crucial para o transporte mundial de petróleo. Segundo o g1, está bloqueado por Teerã desde o início da guerra e se tornou um dos principais focos de tensão entre Irã e Estados Unidos, além de cenário frequente de ataques.
Em setembro, o Irã apresentou, por meio do Catar, uma proposta para reabrir a passagem caso os americanos aceitassem uma série de condições. Entre elas, de acordo com o g1, estavam um cessar-fogo regional, o desbloqueio de ativos iranianos no exterior, o fim das sanções contra o setor petrolífero do país e a suspensão do bloqueio americano aos portos iranianos. Essas condições já constavam do acordo firmado em junho, após um primeiro cessar-fogo em vigor desde abril. A trégua, porém, não durou, e os ataques foram retomados pouco depois.
No domingo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi acrescentou uma nova exigência, em entrevista à Al Jazeera. Segundo ele, Washington deveria aceitar "a nova rota acertada entre Irã e Omã para a passagem de navios" pelo estreito. Araghchi também incluiu a redução da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Segundo o g1, os confrontos diminuíram desde setembro, mas Estados Unidos e Israel, ambos em períodos eleitorais, ameaçaram retomar os ataques contra o Irã. As eleições de meio de mandato americanas estão marcadas para terça-feira (3).
Os ângulos
Baqaei afirma que o prazo menor de dois dias demonstra boa-fé de Teerã e que a reabertura depende de Washington aceitar as condições iranianas. Ele avisou que qualquer agressão contra o Irã "receberá uma resposta contundente, imediata e global".
O presidente Donald Trump disse no domingo, em comício em Iowa, que a única razão pela qual ainda não acabou com o Irã é que quer ser gentil e tentar salvar vidas. Acrescentou que, "em algum momento", será preciso desferir "um golpe contundente" contra o país. O material não traz resposta americana específica à nova proposta de reabertura.
O que muda para você
O material não informa efeitos diretos para o leitor. Ele indica apenas que o Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte mundial de petróleo, segue bloqueado, e que a reabertura depende de um entendimento entre Irã e Estados Unidos.