ECONOMIA
Mercado projeta manutenção da Selic em 13,75% após reeleição de Lula e queda da Bolsa
Segundo a CNN Brasil, as opções de Copom indicam 68,8% de chance de manutenção dos juros na quarta-feira (4); antes do segundo turno, a chance de corte passava de 70%.
Paralax Brasil · · Edição do dia
O mercado financeiro chega à semana da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para quarta-feira (4), com expectativa de que o ciclo de cortes da Selic, a taxa básica de juros, seja interrompido. De acordo com a CNN Brasil, a aposta majoritária era de queda de 0,25 ponto percentual. Ela deu lugar à manutenção da taxa em 13,75% ao ano depois do segundo turno e de uma série de riscos inflacionários internos e externos.
Um dos termômetros dessa mudança são as opções de Copom negociadas na B3, a bolsa brasileira. Segundo a CNN Brasil, antes do segundo turno a probabilidade de corte em novembro passava de 70%. Depois do resultado, as opções indicam probabilidade implícita de 68,8% de manutenção. A reportagem lembra que esses números não são uma projeção oficial da B3: eles são extraídos dos preços dos contratos.
Os ativos brasileiros também oscilaram com força. De acordo com a Folha de S.Paulo, a Bolsa, que havia chegado a 200 mil pontos após o primeiro turno, recuou 17,5% na semana passada, e o dólar teve a maior alta semanal desde 2008, de 9,18%. A CNN Brasil informa que as empresas listadas perderam cerca de R$ 873 bilhões em valor de mercado no período. As fontes divergem em detalhes. Daniel Teles, da Valor Investimentos, falou em dólar saindo de cerca de R$ 4,99 para a casa dos R$ 5,30. Já Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG, citou alta de R$ 5,00 para R$ 5,40 em um mês.
Os bancos projetam um Banco Central cauteloso. O Itaú Unibanco espera que o Copom comunique a interrupção do ciclo de cortes, com a Selic mantida em 13,75% em decisão unânime. O HSBC prevê a taxa inalterada até março de 2027 e espera que ela termine 2027 em 12,50%. O banco também projeta inflação (IPCA) de 5,1% em 2026 e de 5% em 2027, e crescimento do PIB de 1,6% neste ano e de 0,6% no próximo. O HSBC afirma ser improvável que surjam medidas claras para conter gastos públicos antes das reuniões de novembro e dezembro.
Há também pressão externa. Segundo a CNN Brasil, a continuidade das guerras da Ucrânia e do Irã pressiona os preços do petróleo e dos combustíveis. O Itaú BBA afirma, em relatório, que o cenário internacional deixou de ser “incerto” e passou a ser “adverso”.
Sobre o que vem pela frente, as avaliações diferem. Teles considera a queda da Bolsa uma reação exagerada, mas não vê melhora para o mercado em 2026. Mansueto Almeida diz que a turbulência é um ajuste de posições e que a divulgação de um plano fiscal consistente já melhoraria o ambiente.
Os ângulos
Em entrevista ao CNN Money, disse que a queda da Bolsa foi uma reação “extremamente exagerada”, já que o Ibovespa, negociado a cerca de oito vezes o lucro, estaria abaixo da média histórica. Mesmo assim, respondeu “não” ao ser questionado sobre melhora do mercado em 2026. Citou a alta dos juros futuros, a falta de sinalização fiscal do governo e o crédito subsidiado como fatores desfavoráveis.
Em entrevista ao CNN Money, afirmou que a turbulência é um ajuste de posições e que o maior problema de curto prazo é a incerteza sobre o novo plano fiscal. Para o economista, sinalizar um plano claro de controle do crescimento da despesa pública já criaria um ambiente mais favorável. Ele destacou fundamentos como a condição de exportador líquido de petróleo e a perspectiva de mais uma supersafra.
Os dois bancos preveem que o Copom mantenha a Selic em 13,75% por causa do risco fiscal, da desancoragem das expectativas de inflação e do cenário global adverso. O HSBC aponta como principal risco a perda de ancoragem das expectativas de inflação.
O que muda para você
Segundo a Folha de S.Paulo, juros futuros mais altos encarecem o crédito para empresas e consumidores. Quem comprou títulos prefixados ou atrelados à inflação antes da abertura das taxas pode ter perdas temporárias se vender antes do vencimento. Já quem aplica agora encontra remunerações melhores: na semana passada, o Tesouro Prefixado 2029 chegou a oferecer 14,88% ao ano.
Fontes
- CNN Brasil: Mercado não enxerga melhora para esse ano, diz especialista
- CNN Brasil: Para Mansueto, do BTG, incerteza fiscal é o maior problema de curto prazo
- CNN Brasil: Mercado chega à semana do Copom com expectativa por fim do corte de juros
- Folha de S.Paulo: Volatilidade pós-eleições impulsiona busca por ativos de proteção