ECONOMIA
Nasdaq tem pior mês desde março de 2025 com dúvidas sobre retorno da IA
Índice caiu 2,86% na sexta-feira (30) e acumula queda de 7,8% desde a máxima, enquanto investidores migram para títulos públicos.
Paralax Brasil · · Edição do dia
Wall Street fechou a sexta-feira (30) em forte queda, após balanços do setor de tecnologia reacenderem a dúvida sobre se os investimentos em inteligência artificial (IA) darão o retorno esperado. Segundo a CNN Brasil, o Nasdaq recuou 2,86% e o S&P 500 caiu 1,82%, os piores desempenhos diários desde junho. O Dow Jones perdeu cerca de 1,1%.
De acordo com a CNN Brasil, o Nasdaq acumula queda de 7,8% em relação à máxima histórica, registrada no início do mês, e teve o pior desempenho mensal desde março de 2025. O S&P 500 está cerca de 3% abaixo do pico. Há poucas semanas, os dois índices haviam atingido níveis recordes. A emissora cita como fatores os temores com juros mais altos, o consumo de caixa das empresas de tecnologia e resultados e projeções abaixo do esperado.
As perdas se concentraram em algumas empresas. Segundo a CNN Brasil, as ações da Intel caíram 28,58% na sexta-feira, o pior resultado desde 1974 e o segundo pior da história da companhia, depois de projeções mais fracas para o quarto trimestre. A Amazon recuou 1,4%, após relatório com mais gastos em IA e vendas e lucro abaixo do previsto por analistas. A Nvidia perdeu 4,2%, e um índice de referência de fabricantes de chips caiu 7,2%.
A Alphabet, controladora do Google, foi o principal alvo na quinta-feira (29). A CNN Brasil informa que as ações caíram mais de 12%, eliminando meio trilhão de dólares em valor de mercado. A Folha de S.Paulo registra queda de 13%. Segundo a Folha, a empresa informou que seu fluxo de caixa livre ficou negativo pela segunda vez em um trimestre desde a abertura de capital, em 2004. A CNN Brasil descreve o fato como o primeiro caso de dois trimestres seguidos com fluxo de caixa livre negativo. Na sexta, a Alphabet caiu mais 1,4% e fechou seu pior mês já registrado, de acordo com a CNN Brasil.
A CNN Brasil afirma que a Meta teve um trimestre com fluxo de caixa livre negativo, algo que não ocorria desde 2012. A Amazon registrou fluxo negativo de US$ 42,4 bilhões em 12 meses. Alphabet, Microsoft, Meta e Amazon investem juntas centenas de bilhões de dólares em data centers, segundo a emissora. A Folha acrescenta que, no conjunto da semana, as notícias de Meta, Alphabet, Amazon e Intel contribuíram para uma queda de 2% do Nasdaq 100, que entrou em território de correção.
Os investidores também reagiram no mercado de títulos. De acordo com a Folha, o rendimento do título americano de dez anos descontada a inflação caiu para 2,58%, o menor nível desde o início de setembro. O jornal compara o papel ao Tesouro IPCA+ de longo prazo no Brasil. Os títulos de cinco e 30 anos também tiveram queda expressiva. Segundo a Folha, parte do movimento pode ser temporária, de operadores que esperam a volatilidade passar, mas outros enxergam uma mudança mais profunda.
A queda ocorreu apesar de dados positivos sobre a economia. O Departamento de Análise Econômica informou na quinta-feira que o PIB dos EUA cresceu 3,4% no terceiro trimestre, acima dos 3,2% previstos por economistas consultados pela Bloomberg, segundo a Folha.
Os ângulos
Segundo a CNN Brasil, Joe Tigay, da Equity Armor Investments, disse que o mercado sai da fase de "esperanças e sonhos" e entra na do "quero ver resultados". Matt Maley, da Miller Tabak + Co, afirmou que a promessa de retorno da Alphabet "está sendo adiada para um futuro cada vez mais distante". Neil Wilson, da Saxo Markets, disse que investidores querem retornos concretos, não só despesas de capital.
De acordo com a Folha, Priya Misra, da JPMorgan Asset Management, afirmou que não há indício de desaceleração nos dados econômicos, mas que o mercado olha para o futuro e uma reavaliação da IA implica reavaliar o crescimento. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, disse que as fontes de força da economia não estão concentradas apenas em nichos restritos. Jason Granet, da BNY, afirmou que a desaceleração pode refletir uma base de comparação alta e não indica necessariamente fraqueza.
Segundo a Folha, Vincent Reinhart, da BNY Investments, disse que a composição do crescimento é preocupante por depender demais de gastos com tecnologia, e que o fenômeno é global. Robert Sockin, da PGIM, afirmou que o risco de recessão subiu de 10% no início do ano para 20% há um mês e que talvez esteja em 25%.