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ECONOMIA

Mercado revisa PIB para baixo e eleva projeções de inflação após reeleição de Lula

Itaú passou a ver IPCA de 6,1% em 2027 e PIB de 0,5%; dólar fechou a sexta a R$ 5,447, a maior cotação do ano, segundo a Folha.

Paralax Brasil · · Edição do dia

A reeleição de Lula (PT) levou instituições financeiras a revisar projeções para a economia. Segundo a CNN Brasil, a vitória não estava nos cálculos dos investidores. A emissora afirma que o Ibovespa caiu 18% na semana pós-eleição e que as casas ouvidas pela reportagem revisam estimativas ou estão de prontidão para fazê-lo.

O Itaú elevou em 1,5 ponto percentual a estimativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2027, que agora chega a 6,1%, segundo a CNN Brasil. O banco também reduziu a projeção do PIB (Produto Interno Bruto) do próximo ano de 1,2% para 0,5%. O economista-chefe do Itaú, Diogo Guillen, escreve no relatório que juros restritivos por mais tempo devem pesar sobre consumo, investimento e crédito, com impacto relevante sobre os de menor renda. O ASA, segundo a CNN, vê PIB de 0% em 2027, com risco de recessão.

As projeções variam entre as casas. De acordo com a CNN Brasil, o Daycoval pretende subir o IPCA de 2027 de 4,2% para 4,7%, e a Lifetime Investimentos planeja revisar para algo acima de 5%. A Folha de S.Paulo informa que a 4intelligence passou de 4,23% para 5% em 2027 e a MB Associados prevê 4,5%. A mediana do boletim Focus, do Banco Central, indicava 4,34% para 2027 e 5,19% para 2026, mas foi coletada antes do resultado da eleição.

O dólar fechou a sexta-feira (30) em R$ 5,447, a maior cotação do ano, segundo a Folha. A alta na semana pós-eleição foi de 9,2%, valor que a CNN Brasil registra como 9,17%. A Folha atribui o movimento ao temor de um ajuste fiscal insuficiente. O economista Fábio Romão, da 4intelligence, afirma que o câmbio puxou a revisão, seguido pelo possível efeito do El Niño, fenômeno climático que altera temperaturas e chuvas.

A CNN Brasil lista cinco fatores de pressão: o dólar; o fim da escala 6x1, pelo potencial de exigir mais contratações; o El Niño; a alíquota da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) sugerida pelo Tribunal de Contas da União, acima do esperado; e os combustíveis, com petróleo acima de US$ 100 e volta de impostos federais. Para Romão, citado pela Folha, o fim da escala 6x1 e a reforma tributária têm influência menor nas revisões.

Antes da eleição, os preços de alimentos já pressionavam a inflação, segundo a Folha. O IPCA-15 de outubro desacelerou para 0,32%, de acordo com o IBGE, mas a alimentação no domicílio subiu 1,01%, maior variação para outubro desde 2021. O tomate subiu 24,54%. O IPCA de outubro ainda não foi divulgado.

Há incertezas. A economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, diz à CNN Brasil que há “muita pergunta sem resposta” sobre a equipe econômica e o orçamento de 2027. Para Sergio Vale, da MB, citado pela Folha, o dólar pode se acomodar, mas depende das sinalizações fiscais do presidente e da montagem do novo governo.

Os ângulos

Itaú

Segundo a CNN Brasil, projeta IPCA de 6,1% em 2027 e PIB de 0,5%, por causa de juros mais altos por mais tempo e atividade mais fraca.

Economistas que veem alta mais moderada

De acordo com a Folha e a CNN Brasil, a MB Associados prevê IPCA de 4,5% em 2027 e o Daycoval, de 4,2% a 4,7%. Ambos citam dependência do câmbio e do El Niño.

Mercado e analistas sobre a política fiscal

Segundo a CNN Brasil, o temor é que Lula mantenha política fiscal expansionista. A Folha relata que o dólar reflete o receio de ajuste fiscal insuficiente. Vale, da MB, ressalta que é preciso aguardar as sinalizações do governo.

O que muda para você

Segundo a Folha, se o dólar se mantiver acima do nível pré-eleição, pode pressionar preços de combustíveis, alimentos e bens duráveis. As projeções, porém, ainda estão sendo revisadas e dependem de decisões do governo.

Fontes

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